Somente quando o avião levantou vôo e a cidade foi ficando pequena lá embaixo é que me dei conta de que eu estava indo embora de São Paulo.
Engraçado como ao longo dos 3 dias que antecederam a viagem eu achava que quando esse momento chegasse eu fosse ficar uma pilha de ansiedade ou desmoronar em lágrimas por tudo o que estava deixando pra trás mas, ao contrário, não senti absolutamente nada.
O dia seguinte é que foi mais difícil.
Depois de uma noite infernal, embalado por incertezas e pelo barulho insurdecedor do ar condicionado, tive que reunir o pouco de forças que me restavam, levantar da cama e enfrentar o mundo lá fora.
Morto de fome, resolvi sair para comer alguma coisa – antes tivesse ficado no hotel e devorado o pacote de Cheetos que trouxera na bolsa. Levei R$ 20 pensando que ainda seria muito mas, para minha surpresa, não deu nem pra fazer metade do estrago que eu pretendia.
Momento constatação: em Manaus tudo é mais caro! Depois de um início de parada cardíaca por ter desembolsado R$ 8 num mísero misto quente acompanhado de um suco de laranja mais quente ainda, qual não foi minha surpresa ao pedir um maço de cigarros que custa R$ 3,75 na tabela e o moço me cobrar por ele R$ 5!!!
O pior foi que, quando questionei o preço, o fdp me respondeu que se eu quisesse levar o preço era aquele mesmo!!! Mais tarde eu viria a saber que, na maioria dos estabelecimentos comerciais daqui, o cigarro é vendido no câmbio negro.
Voltei pra casa pior do que havia saído, R$ 13 mais pobre e ainda com fome. Enquanto devorava o pacote de Cheetos ao som de Lily Allen, a certeza de que não ficaria nessa cidade voltou a martelar minha cabeça.
Antes de mais nada Doutor Junior é uma brincadeira, um apelido que ganhei quando, aos 25 anos, resolvi jogar tudo para o alto pra correr atrás do meu grande sonho: a medicina. Esse espaço visa a troca de informações e a expressão de idéias sobre os mais variados temas. Se quiser saber mais sobre mim, clique aqui.