Filme Turistas

No famigerado filme Turistas, um dos personagens diz a outro que gostaria de ir para Belém porque lá, segundo ele, existem 10 mulheres para cada homem. Se é verdade eu não sei, porque nunca estive em Belém, mas se ele estivesse falando de Manaus estaria certíssimo: basta andar pelas ruas para perceber que elas dominam.

Mas o que poderia significar uma vantagem para o time feminino na eterna “guerra dos sexos” acaba se revelando uma verdadeira armadilha: como são maioria, a concorrência entre elas na disputa pelos (poucos) exemplares do sexo oposto  chega a ser desleal, obrigando-as a adotar uma postura mais agressiva no “campo de batalha”.

Dia desses, por exemplo, fui abordado na rua por uma menina do alto dos seus 14, 15 anos, linda, me oferecendo drops. Tomei um susto e, antes que eu esboçasse qualquer reação, rapidamente ela mudou o rumo da conversa e começou a elogiar meus atributos físicos! Percebendo o terreno perigoso para o qual a conversa começava a se encaminhar, tratei de dispensá-la e segui em frente.

Enquanto me afastava ainda pude ouvir seu inacreditável comentário: “só pode ser viado”.

E olha que essa não foi a primeira vez que sofri esse tipo de abordagem – já aconteceu no ônibus, no banco da praça e até numa balada, quando uma garota veio me intimar a tirá-la pra dançar (acredite, aqui ainda se dança de rostinho colado!).

Meus amigos de São Paulo se racharam de rir quando contei-lhes essas histórias – meu pai, particularmente, mostrou-se interessadíssimo em conhecer a zona franca -, ao contrário dos colegas de faculdade que, curiosamente, acharam tudo muito natural, banal até. Daí conclui-se que, como na famosa lei da oferta e da procura, quando a oferta de um produto se sobrepõe sobre a demanda ele tende a se desvalorizar. Ou, como diria meu avô, “quando a esmola é demais, o santo desconfia”.

O Dia Seguinte

In: Amazônia| Na Real

12 Jan 2010

Somente quando o avião levantou vôo e a cidade foi ficando pequena lá embaixo é que me dei conta de que eu estava indo embora de São Paulo.

Engraçado como ao longo dos 3 dias que antecederam a viagem eu achava que quando esse momento chegasse eu fosse ficar uma pilha de ansiedade ou desmoronar em lágrimas por tudo o que estava deixando pra trás mas, ao contrário, não senti absolutamente nada.

O dia seguinte é que foi mais difícil.

Depois de uma noite infernal, embalado por incertezas e pelo barulho insurdecedor do ar condicionado, tive que reunir o pouco de forças que me restavam, levantar da cama e enfrentar o mundo lá fora.

Morto de fome, resolvi sair para comer alguma coisa – antes tivesse ficado no hotel e devorado o pacote de Cheetos que trouxera na bolsa. Levei R$ 20 pensando que ainda seria muito mas, para minha surpresa, não deu nem pra fazer metade do estrago que eu pretendia.

Momento constatação: em Manaus tudo é mais caro! Depois de um início de parada cardíaca por ter desembolsado R$ 8 num mísero misto quente acompanhado de um suco de laranja mais quente ainda, qual não foi minha surpresa ao pedir um maço de cigarros que custa R$ 3,75 na tabela e o moço me cobrar por ele R$ 5!!!

O pior foi que, quando questionei o preço, o fdp me respondeu que se eu quisesse levar o preço era aquele mesmo!!! Mais tarde eu viria a saber que, na maioria dos estabelecimentos comerciais daqui, o cigarro é vendido no câmbio negro.

Voltei pra casa pior do que havia saído, R$ 13 mais pobre e ainda com fome. Enquanto devorava o pacote de Cheetos ao som de Lily Allen, a certeza de que não ficaria nessa cidade voltou a martelar minha cabeça.

Desembarquei no Amazonas com uma febre de 38º. Impossível saber se o suor que me escorria testa abaixo se devia à elevada temperatura do corpo ou ao calor infernal que faz normalmente por aqui.

A primeira, das muitas surpresas que se seguiriam ao longo de meu desembarque, foi constatar que o aeroporto de Manaus era menor que os terminais de ônibus em São Paulo.

A segunda, e talvez a maior das surpresas, foi descobrir que, à despeito de a cidade estar encravada no coração da Floresta Amazônica, o contato com a natureza é mínimo por aqui.

Também me surpreendi com a sujeira nas ruas, o trânsito maluco e o elevado número de baratas esmagadas que vi pela maioria dos lugares por onde passei.

No primeiro momento em que me vi sozinho, trancado no quarto de hotel, chorei feito criança. Manaus não era nada daquilo que eu havia imaginado e um único pensamento me martelava a cabeça: “não vou ficar nesse lugar“, “não vou ficar nesse lugar“…

Inimigo Meu

In: Na Real

23 Dec 2009

Todo final de ano é sempre a mesma coisa: correria, trânsito, stress, falta de tempo, descuido da balança e um clima de falsa euforia que chega a irritar.

Esse ano a notícia da morte de um antigo desafeto de maneira trágica veio quebrar esse turbilhão de emoções que antecedem o período de festas e me trazer de volta à realidade.

Não convém revelar aqui o motivo de nossas desavenças, mas – que se dane o politicamente correto – cabe registrar que eu nunca odiei tanto alguém como odiei esse cara. E tenho certeza de que a recíproca é (ou era, sei lá) verdadeira.

Engraçado como jamais me passou pela cabeça que uma notícia dessas fosse mexer tanto comigo, mas a verdade é que mexeu.

Difícil descrever o que sinto. Dificil engolir o nó na garganta.

Descanse em paz, C.

Mudança

In: Amazônia| Na Real

18 Dec 2009

Como todo bom paulistano, nunca cogitei a idéia de sair de São Paulo. A despeito de todos os problemas comuns a qualquer metrópole como Paris, Londres, Nova Iorque, acho que no final das contas os pontos positivos superam os negativos.

Por outro lado, de uns tempos pra cá vinha sentindo uma grande inquietação, uma necessidade de mudança que eu não conseguia enxergar direito para onde iria me levar. Nada mais me atraía, nada mais me motivava… Foi aí que surgiu a oportunidade de continuar meus estudos na Amazônia.

Ninguém acreditou quando contei. Até eu custei a acreditar – todas aquelas histórias de insetos, serpentes gigantes e peixes que se alojam no canal urinário masculino sempre me fizeram colocar a floresta amazônica dentre as últimas opções de meus roteiros de viagem , o que dizer então de morar?

Pra piorar ainda mais, eu teria menos de uma semana pra me decidir, pois deveria me apresentar na faculdade dali a 5 dias… Pânico.

Não precisei de mais que 5 minutos. Após a confirmação da existência da vaga, fuçando nos sites das companhias áreas encontrei a passagem por um preço incrível e o resultado é que 3 dias depois lá estava eu, embarcando para o desconhecido… Mas isso é história pra outro post.

Porquê Doutor?

Antes de mais nada Doutor Junior é uma brincadeira, um apelido que ganhei quando, aos 25 anos, resolvi jogar tudo para o alto pra correr atrás do meu grande sonho: a medicina. Esse espaço visa a troca de informações e a expressão de idéias sobre os mais variados temas. Se quiser saber mais sobre mim, clique aqui.

Flickr

  • Teatro AmazonasTeatro AmazonasCopacana!?vale pela luz IIManausTeatro Amazonas
  • JuNiOr: Tem certeza que você leu o meu texto? [...]
  • jessica: Eu acho que você não tinha dinheiro para ficar em um hotel que preste desculpa mais tudo isso que [...]
  • Dalton: Júnior, eu tb precisava muito conversar e precisava ser alguém como vc que me conhece e fala tudo [...]
  • Mr WordPress: Hi, this is a comment.To delete a comment, just log in and view the post's comments. Ther [...]